Esse texto é o resultado de uma palestra na Semana de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) em maio de 2021. Agradeço o convite da organização do evento e ao Anderson Santos que me permitiu repensar essa fala.
Introdução
Esquizoanálise ainda é uma palavra esquisita no Brasil, apesar de ser também um dos poucos lugares no mundo onde ela deu belos frutos. Ela ainda aparece como excêntrica, o que diz mais sobre como comumente a loucura é vista, e sobre a ignorância em torno da questão, do que um verdadeiro julgamento crítico sobre a obra de Deleuze e Guattari, praticamente desconhecido em certos círculos psicanalíticos, psicológicos e afins. Entre outras razões isso se deve a um debate que nunca aconteceu, nem na França nem no Brasil e que deixou as críticas endereçadas à psicanálise freudo-lacaniana sem uma resposta adequada. Guattari explicou certa vez, a razão da desavença, era política.[1]
Há filósofos por aqui que acreditam que ninguém lê mais o Foucault de História da loucura, como se o assunto, “loucura”, “encarceramento” fizesse parte de um lugar exótico, adjacente, menor dentro do campo das grandes preocupações políticas e filosóficas. E, no entanto, para a filosofia, nada mais evidente do que a loucura para interrogar o que entendemos por razão, na dupla acepção do termo, razão como pensamento, razão como causa.
Há quem acredite, por apego ilógico a um princípio de negatividade, que a filosofia deleuziana não é nada mais do que um sismógrafo do capitalismo atual, como se sua crítica, que não é vista como marxista, fosse inexistente; porque no Brasil se confunde “positividade” com ausência de crítica. O mais grave é que essa estupidez é, como sempre, sinal de uma profunda ignorância, que desconhece a história de militância de Guattari, que atravessa décadas de história política, da composição dos albergues de juventude na década de 30 e 40, ou seja, do surgimento mesmo do antifascismo, passando pela guerra da Argélia, maio de 68, o longo maio italiano, o nascimento dos partidos verdes europeus e da questão ecológica. Sintoma de uma filosofia de gabinete muito brasileira, aliás.
A luta anti-psiquiátrica (movimento que como o maio de 68 foi mundial), ou o movimento antimanicomial como é chamado no Brasil, está profundamente ligado a essa história do marxismo, do comunismo, da anarquia, da esquerda, enfim, como preferirem. Mas uma esquerda que sempre foi, desde o início, gauchista, quer dizer, com os italianos, e desde o início da “psicoterapia institucional” principalmente, autonomia. Gauchismo, termo que não tem equivalente em português, indicava antes de mais nada uma esquerda fora dos partidos políticos, não aliada ao partido comunista, portanto, nem stalinista e no caso de Guattari, tampouco maoísta, mas profundamente sartreano. Autonomia significa autonomia da vida social ou recusa das formas de organização burocráticas, recusa da gestão estatal, desejo de que as formas vivas da sociedade sejam responsáveis pelo presente e pelo futuro. O que aproxima os gauchistas de anarquistas ou libertários. Há aqui, antes de mais nada, uma recusa da separação entre governantes e governados, e não é isso uma democracia? Dissenso, diz Guattari.
Há quem acredite que a política é a continuação da guerra por outros meios, de que ela deve ser pensada sob a lógica da conquista, do consenso, da hegemonia. Mas há também quem pense que uma sociedade democrática é aquela verdadeiramente aberta a transformar-se, de todos os pontos de vista possíveis, políticos, econômicos, sociais, etc. E a singularidade de Guattari nesse contexto foi de ter colocado a questão da autonomia e do par alienação/emancipação também de um ponto de vista clínico.
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É muito difícil estar aqui e falar sobre esquizoanálise, por duas razões, ou melhor é difícil de duas formas distintas. Primeiro, porque há muito a ser dito do ponto de vista prático, digo clínico, pela forma como a esquizoanálise floresceu no Brasil, na América latina, até porque a esquizoanálise não teve tantos desdobramentos na França como aqui. Há esquizoanalistas por todo o Brasil e diferentes formas de pensar e praticar a esquizoanálise no Brasil e na América latina, de Baremblitt, e do esquizodrama passando pelo trabalho de Suely Rolnik, Peter Pál Pelbart, Monica Silva, o trabalho de Heliana Conde no Rio em torno da psicoterapia institucional entre muitos outros.
Por outro lado, a outra dificuldade que a esquizoanálise nos coloca é teórica. Para ser um pouco rigorosa, esquizoanálise é um conceito que aparece pela primeira vez com o Anti-Édipo, livro de Deleuze e Guattari, publicado em 1972, ele foi motivado por maio de 68 e suas consequências. Mas o conceito continua a ser elaborado e desenvolvido ao longo de pelo menos duas décadas na obra do Guattari principalmente, até Cartografias esquizoanalíticas, publicado em 1989. Entre as duas obras, temos tanto Mil Platôs quanto O inconsciente maquínico: ensaios de esquizo-análise, Revolução molecular, Os anos de inverno, Cartografias do desejo, escrito em parceria com Suely Rolnik, entre outros ainda. São três décadas praticamente de trabalho clínico e militante, história que é também a do processo de implementação do neoliberalismo. É também durante esse período que Guattari passa a se voltar cada vez mais para a noção de ecologia, como um desenvolvimento ético e estético de uma clínica que sempre foi voltada para o território ou para os territórios existenciais, se vocês me permitem, portanto que sempre teve o meio (o chão, a terra, a cidade, a clínica) como base de sua reflexão.
O que me interessa particularmente no trabalho do Guattari não é a clínica como entendida comumente, quer dizer, seja no set clínico, na relação analista-analisando, seja no espaço mesmo de uma clínica como La borde, propriamente dita, nem a teoria em si mesma seja ela do capital seja da prática política ou de sua teoria e filosofia, mas a relação que ele estabelece entre clínica e política. Isso é para mim, o que o trabalho do Guattari tem de original no interior da psicanálise e também da teoria, seja ela, sociologia, ciência ou filosofia política. Por isso, gostaria de contar um pouco da história que fez surgir esse encontro entre Deleuze e Guattari, ou melhor, contar a história do que me parece ser o centro da clínica, do trabalho teórico ou da militância do Guattari. Pra mim, a esquizoanálise é sem a menor sombra de dúvida uma tentativa de repensar a natureza do laço social no capitalismo avançado, ela é uma nova maneira de compreender a função e o papel político da clínica, uma maneira muito particular e interessante, uma maneira bastante original de conceber o que é a política. Eu espero ser capaz de lançar aqui algumas hipóteses nesse sentido.
Eu gostaria de explorar aqui um pouco da história da esquizoanálise, não no Brasil, ela ainda estar por fazer, certamente, mas gostaria na verdade de ir um pouco mais longe no tempo e mostrar de que forma a esquizoanálise se coloca no interior da história do movimento antipsiquiatria e antimanicomial, uma história que acho que posso dizer sem temer qualquer equívoco que é uma história mundial, porque podemos falar de reforma psiquiátrica e da psicoterapia institucional do Brasil ao Japão passando pela África. Queria contar um pouco sobre essa história a partir de sua vertente digamos, francesa, que é a da psicoterapia institucional e o contexto em que ela surge. Falar em psicoterapia institucional significa falar da clínica de Saint-Alban, coordenada por Tosquelles e Bonnafé, onde Jean-Oury que mais tarde se tornaria diretor da Clínica La Borde onde Guattari trabalhou, fez sua formação.
Que dia é hoje?
Antes de entrar nessa história, eu gostaria de fazer duas ressalvas, a primeira sobre a pertinência de voltarmos hoje para essa história que é bem longa, na verdade, de quase um século, vocês verão. A segunda ressalva, que tem como intuito mesmo fornecer alguns apontamentos sobre o que Guattari entendia por política e clínica, sobre a relação entre clínica e política.
Por que trazer hoje aqui essa história da antipsiquiatria, da luta antimanicomial? E da esquizoanálise? Bom, eu disse que o termo surgiu em 1972. O Anti-Édipo foi antes de mais nada um livro que tinha como objetivo compreender de que forma a contestação que produziu maio de 68 foi minada, cooptada, recuperada. Porque maio de 68 não aconteceu? O Anti-Édipo visa antes de mais nada compreender, com um recurso à noção de inconsciente, o que La Boétie chamou de servidão voluntária. Por que desejamos a servidão como se fosse a liberdade? A pergunta foi recolocada por Reich ao analisar o nazismo a partir da psicanálise freudiana. Por que os explorados não se revoltam, por que os esfomeados não roubam? Pensar a política, a partir dessa pergunta é o que torna, a meu ver, a abordagem de Guattari clínica. Mas Reich não tinha um conceito como o de máquina desejante, pensava os laços sociais a partir das representações dos laços familiares. O que faz da pátria representação da mãe, o líder aparece como um pai e os laços sociais são sentimentalizados, como quando os romances do século XIX ou as telenovelas reconciliam classes sociais contando histórias de amor.
Deleuze e Guattari procuram repensar a relação entre recalque do desejo e repressão no interior da vida social. Repressão aqui não significa exclusivamente repressão sexual, como em Reich, mas o modo mesmo de organização e de gestão da população dentro do neoliberalismo que se instaurava nesse momento. Guattari já pensava essa questão por décadas, ela é produto de um diagnóstico sobre o estado atual da classe operária nos anos 60, o papel dos partidos de esquerda, principalmente o P.C.F., e finalmente o resultado ou o por quê maio de 68 não ter acontecido.
Bom acontece que, essa é a minha hipótese aqui, o diagnóstico de Guattari a respeito do maio de 68 e do pós-maio de 68, sobre esse processo de implementação do neoliberalismo ainda tem muito a nos dizer sobre os nossos dias atuais. Nem que seja pelo fato de que o neoliberalismo continua o processo de desorganização da classe operária iniciada pelo nazifascismo, um processo mesmo de destruição de uma cultura política que foi inclusive, militar. (Falo tanto da ascensão do franquismo e do salazarismo quanto de um General na Presidência da França sem contar nos tanques de guerra na Itália e do processo que colocou fim a autonomia). Esse é apenas, evidentemente, uma sombra do que foram as ditaduras e os governos militares na América latina, Ásia e África.
É por isso que eu gostaria também de traçar um paralelo entre 68 e o nosso contexto atual, quer dizer após junho de 2013.
Não se pode repetir junho, ao contrário do que diziam os gritos do movimento estudantil nos protestos contra novo aumento da tarifa em São Paulo, no início de 2015. O acontecimento não se reproduz, pois o que o caracteriza é a abertura ao desconhecido – um evento cuja força não pode mais do que anunciar o desconhecimento sobre o que vem a seguir. Passadas as eleições presidenciais – dispositivo político onde o que parece estar em jogo é dar corda ao boneco exausto da democracia representativa e a manutenção da monocultura política – e o crescente acirramento da polarização entre governo e oposição, cujo aspecto mais atroz seja talvez a neutralização da parcela da esquerda que nunca quis o poder, parece haver a sensação – quase um consenso – de que a potência de fissurar os protocolos referentes a governar e ser governado está soterrada e asfixiada debaixo dos escombros da política institucional. [2]
Ao descrever maio de 68, Deleuze e Guattari o definiram como um acontecimento, um acontecimento que aliás não se realizou, porque foi antes de mais nada uma revolta contida, esmagada, uma revolta que foi expropriada, apropriada e reprimida, um possível surgiu, uma nova possibilidade, mas ela foi bloqueada.
As hierarquias sociais foram contestadas em maio, as diferenças de sexo e gênero e outras formas de preconceito, sobretudo as raciais, herança da colonização que não termina, mas sobretudo o que estava em questão era a reprodução das classes sociais[3] quer dizer a manutenção do poder (leia-se $$) dentro de certos grupos, até a alienação estudantil[4] foi posta em questão. Mas a mudança não veio. Aqui, como lá, o que se entende por governar e ser governado é posto em questão durante a revolta, mas não há uma mudança efetiva, pelo contrário, são as formas de repressão que ganham novos contornos e formas. Mas esses dois movimentos históricos também podem ser vistos como acontecimentos que anunciam também uma nova forma de fazer política e novos sujeitos políticos.
Um acontecimento anuncia um possível, traz um novo possível a cena, abre a sociedade para um desejo, como diria Guattari. E isso, voltarei nessa questão, é o que ele chama de função clínica. Um acontecimento como maio de 68 ou junho, pode, portanto, nos colocar diante de um possível sem o qual nós sufocaríamos. “Do possível, senão sufoco”, ela manifesta claramente um desejo de mudança. Isso é o motor da clínica, para Guattari.
O que me interessa salientar aqui é justamente isso que Mariana Ruggieri chama de consenso, a ideia de que tanto dentro quanto fora da política institucional, não parece possível que sejamos capazes de transformar o que significa ser governado e o que significa governar. Se a política institucional era uma mera aparência, incapaz de alcançar um certo grau mesmo que mínimo de democracia, se isso fosse possível dentro de uma sociedade autoritária como a brasileira, ainda por cima houve aqui uma “neutralização dessa esquerda que nunca quis o poder”. Uma situação mesmo de bloqueio.
O que nos deixa com uma tarefa, é assim que Guattari pensa o pós-maio de 68 também, a construção de uma outra forma de fazer política que não seja essa que deseja o poder, que deseja tomar o poder, ocupar o poder para, em seguida deixar-se aniquilar por esse mesmo poder, ou para continuar repetindo as mesmas formas de opressão e exploração dentro da vida social.
Talvez, tanto o maio de 68, que para Deleuze é um fenômeno mundial[5], quanto nosso junho, nos colocam diante da tarefa de pensarmos novos modos de organização política. O que é isso então que Guattari entendia por política?
Vou começar com essa citação, do Inconsciente maquínico, livro publicado em 1979: “Que olhemos para o Oeste, para o Norte ou para o Sul, a questão continua a mesma: como organizar a sociedade de outra forma?”[6]
Política diz respeito, portanto, a maneira como vivemos em sociedade. E Guattari coloca duas condições para que uma mudança real e efetiva aconteça. A primeira deveria ter como objeto a destruição das relações de exploração e o fim da divisão da sociedade em classes, castas, raças, etc. A segunda condição, particularmente interessante porque ela é posta por um homem aliás, que ela estabeleça uma ruptura com todos os valores de uma certa micropolítica do músculo, do falo, do poder territorializado.[7] Uma certa cultura, portanto, da violência patriarcal. Da violência da vida militarizada que é essa do nosso regime capitalista.
E como Guattari compreende a relação entre clínica e política?
O campo do inconsciente é o dos possíveis, em todos os domínios (…), se não houver fusão entre as práticas analíticas das formações do inconsciente e as práticas políticas das formações sociais, reproduziremos sem cessar as mesmas atitudes, a mesma gregariedade dogmática, as mesmas hierarquias, as mesmas relações de exclusão e de dominação. Uma ação política deve se tornar sinônimo de análise e inversamente.[8]
Guattari nos coloca aqui diante de um problema político posto por Sartre, a questão da serialidade e dos grupos fusão. São duas composições distintas o que temos aqui. Um grupo serializado é como uma fila de ônibus, se as pessoas na minha frente desistirem, melhor pra mim, mas quando estamos interessados em uma ação comum precisamos de um grupo, não posso sozinha tomar a Bastilha. Mas no caso desses grupos fusão, uma vez alcançados o objetivo eles tendem a se serializar, cindidos por divisões internas ou pela paranoia que sempre busca o traidor que colocará tudo a perder, quer dizer, uma vez conquistado o poder a questão se torna como mantê-lo, o que desencadeia uma lógica bélica.
Guattari estava justamente preocupado em pensar uma forma de organização tal que não caísse na serialização, que pudesse evitá-la, da mesma forma que Clastres encontrou nas sociedades Tupinambá ou Guarani, uma forma de lutar contra a instauração de um Estado. Foi por essa razão que Guattari criou os conceitos de grupo sujeito e grupo assujeitado, para evitar a hierarquização e a gregariedade dogmática um grupo tem que se determinar a partir de seu interior e não da paranoia em relação ao outro grupo. Essa distinção é também efeito de um diagnóstico sobre maio de 68 e a classe operária francesa. Ele já é um diagnóstico sobre o desgaste da política institucional, sobre o baixo grau de democracia no interior desse sistema republicano do norte do Ocidente.
É importante lembrar que maio de 68 começou com os estudantes, também não foi uma invenção de intelectuais, mas um movimento global se o inserirmos na contestação que produziu o Vietnam, a revolução cubana, chinesa, a primavera de Praga etc., Ele começou com os estudantes, na França, porque a classe operária estava com sua imaginação política paralisada, o que não significa que maio de 68 não tenha tocado a classe operária, porque foram 6 milhões de grevistas, mas a contestação foi contida, os operários tiveram um aumento significativo de salário, mas foi só isso. Não surgiu uma nova forma de organização política desse movimento até porque o P.C (Partido Comunista) impedia que a extrema esquerda entrasse nas fábricas ocupadas. E desde então, a função da esquerda no poder tem sido, justamente conter suas derivas. O que Guattari criticava nas formas tradicionais de política partidária ou sindical era essa forma de fazer política em que sabemos exatamente como as coisas terminam.
Para ele, a classe operária tinha se limitado, e a política tinha se restringido a uma cobrança quase ressentida, cobramos que as autoridades cumpram com suas obrigações, que os governos assumam suas responsabilidades, etc. Ora, isso significa submeter o desejo ao regime da demanda, não há alienação maior do que cobrar das autoridades, esperar das autoridades, para que possamos nos isentar da nossa própria responsabilidade enquanto indivíduos de uma sociedade pretensamente democrática. Um dos elementos fundamentais que definem a alienação subjetiva para Guattari é justamente a definição de si através de um outro, um grupo assujeitado sempre se define no interior de uma relação paranoica e de projeção em relação a um outro externo do qual ele se diferencia, ele age sempre de forma reativa ao invés de definir-se a partir de seu interior, ao invés de criar para si seus objetivos, suas práticas, sua própria forma de funcionamento.
Dos sonhos
Eu queria acrescentar mais alguns pontos, primeiro uma ressalva, para justificar um pouco a necessidade dessa história, a importância dela, é uma ressalva metodológica e tem nome: Walter Benjamin. Benjamin diz em suas Passagens, que precisamos olhar para o passado como quem acorda de um sonho.
Benjamin me parece que olhava assim para o século XIX no momento da ascensão do nazifascismo na Europa (é também nesse período que, podemos dizer começa a história da psicoterapia institucional, no contexto da luta antifascista na Espanha). O nazifascismo era a meu ver, o nome da destruição de uma classe, de uma cultura operária na Europa, e não apenas. Digo isso porque em suas teses sobre a história, Benjamin era muito crítico em relação tanto aos sociais-democratas alemães quanto aos nazistas, isso porque tanto à esquerda quanto à direita o que se via era um culto do trabalho e também uma inversão que funda essa nova forma de alienação sem a qual o neoliberalismo não conseguiria se firmar, uma inversão cultural sobre o sentido mesmo da luta política. Já não se trata mais de vingar os antepassados mortos, mas de lutar por um futuro melhor para as novas gerações, a classe operária teria assim, segundo Benjamin, desaprendido a odiar.
1936, ano em que começa a guerra civil espanhola, foi, na França, o ano de uma grande vitória. Foi aprovada a lei da jornada de oito horas de trabalho, 40 horas semanais e as férias, pagas. No mesmo mês de julho, Maiorca foi bombardeada.
Guattari falava sempre do “complexo de 36”, responsável por essa conquista, Jean-Oury, diretor da La Borde, que tinha então doze anos, viu tudo de muito perto, seu pai trabalhava numa fábrica de automóveis Hispano-Suiza. Essa formação política, “complexo de 36” designava a esquerda que frequentava os albergues da juventude, muitos trotskistas, e alguns anarquistas, muito poucos membros do Partido Comunista. Guattari cresceu nesse meio, com as reuniões de Fernand Oury, seu professor e irmão de Jean-Oury.
Para Tosquelles, o setor mais avançado e independente da luta comunista na Franca, os trotskistas, eram os católicos do movimento revolucionário. Tosquelles cresceu na Catalunha diante de um palácio extraordinário, (ele dizia que por essa razão tinha começado na psiquiatria aos 4 anos de idade); esse palácio do povo foi criado por anarquistas no final do século XIX, ele contava com duas salas de teatro, uma biblioteca para crianças e uma biblioteca para adultos e um imenso subsolo com uma grande sala, com restaurante, espaço para encontros etc.
Tosquelles era membro do P.O.U.M. (Partido Operário de Unificação Marxista) e deixou a Espanha com a vitória de Franco na guerra civil. Se instalou na clínica de Saint-Alban e passou a trabalhar ao lado de Bonnafé, na clínica que se tornaria reduto dos resistentes, por lá passaram Canguilhem, Fanon e também Jean-Oury que fundaria a La Borde alguns anos mais tarde. Tosquelles virou notícia no jornal da cidade ao fornecer aos seus pacientes picaretas para destruírem uma ala do hospital; ele dizia que a clínica deveria ser um espaço de encontro e favorecer a vagabundagem.[9] Foi ele quem criou os clubes, a constelação e percebeu que ao alterar o regime de hierarquia da clínica a fala circulava mais livremente, além disso, ele também, começou a repensar a questão da transferência, e defendia que a transferência mais importante não passa entre o médico e o paciente, mas entre os próprios pacientes. [10]
Sem o método e as ideias de Tosquelles, Guattari jamais poderia afirmar que o inconsciente está em toda parte, que ele não é uma questão de especialistas: “A análise só terá sentido se ela deixar de ser a questão de um especialista, de um indivíduo psicanalista, ou mesmo de um grupo analítico porque, todos eles se constituem em formações de poder”. [11]
A análise deve se tornar o resultado de processos “que não é composto por indivíduos, mas que dizem respeito também a um funcionamento social, econômico, institucional, político e micropolítico”. Ele cita como exemplo desse tipo de agenciamento o grupo 22 de março que desencadeou o movimento de maio de 68 em Nanterre e a rádio Alice em Bolonha.[12]
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Em 55, Guattari se instala definitivamente na clínica de La Borde, integra o G.T.P.S.I. (Grupo de Trabalho em Psicoterapia e Sócioterapia Institucional) organizado por Jean Oury. Uma década depois, em 1965 Guattari vai criar ao lado de Oury o grupo F.G.E.R.I. (Federação de Grupos de Estudo e Pesquisa Institucionais) que integra sob o princípio da transversalidade, psiquiatras, psicólogos, psicanalistas, urbanistas, enfermeiros, arquitetos e antropólogos. Surge também nesse período a Oposição de esquerda, braço político da F.G.E.R.I.
Tudo começou com a tentativa de ir além da psicoterapia institucional e propor uma análise institucional. Ele recusava uma definição demasiado restrita da psicoterapia institucional, assim, o espaço da clínica se expandia, utilizando a psicanálise para compreender relações “institucionais” das mais distintas naturezas, quer dizer todas as relações que por repetição produzem grupos. O que Guattari desejava era estudar e colocar em prática relações entre práticas similares à da psicoterapia institucional em outros domínios, como a pedagogia, o urbanismo, o militantismo. Principalmente, dentro do movimento estudantil com o qual ele estava ligado, na l’U.N.E.F. (União Nacional de Estudantes da França) e na Mutual Nacional dos Estudantes da França. “Além disso, eu pensava que nós não podíamos avançar nessa nova “disciplina” a não ser na medida em que ela se instituiria em conexão com questões políticas mais largas como: aquelas, por exemplo, da oposição comunista, da renovação das formas de luta revolucionária, etc. Essa tentativa durará até maio de 68. Uma “grande ilusão” que não renego. Em certa medida, foi um sucesso incontestável”.[13]
Guattari descreve os encontros organizados pela F.G.E.R.I. como locais de uma “fermentação bastante impressionante”, lá se cruzavam pessoas tão diferentes quanto Françoise Dolto, Fernand Deligny, Tosquelles. Jean e Fernand Oury, Roland Dubillard, Maud Mannoni, Laing, Cooper, Tourriba, Gentis, e mesmo, às vezes, Jacques Lacan, além de inúmeros estudantes militantes que foram muito ativos em 68. Mas o trabalho que Guattari realizou ao lado de Deleuze, era outro, e ele se tornou necessário após maio de 68. Como muitos dos que participaram ativamente do F.G.E.R.I. que também participaram ativamente do movimento de maio, eles rapidamente perceberam que transformações micro-sociais de um novo tipo se revelaram após maio de 68. Guattari as nomeou “revolução molecular”, elas iam muito mais longe do que o F.G.E.R.I poderia imaginar.
O tempo da análise institucional tinha ficado para trás. A questão agora era compreender a junção entre as revoluções moleculares e a revolução social, tratava-se de compreender, do ponto de vista teórico e prático, o que estava faltando e o que proibia ou atrasava essa junção. O que impede as revoluções moleculares, as lutas de desejo, como Guattari as nomeava, que iam do movimento feminista ao movimento negro e se uniam as lutas pelo fim da colonização na África e na Ásia, de se transformarem em uma verdadeira revolução social? A própria noção, portanto, do que seria uma revolução se transformou, assim como ganhou um novo sentido o termo de revolução social.
Imediatamente após criar essa teoria que pensava o capitalismo como um processo esquizofrênico e que entendia que todas as formas sociais contribuíam no processo de repressão do desejo, Guattari parece se deparar com os limites das dicotomias em operação no interior do anti-Édipo, como paranoia e esquizofrenia, desejo fascista, desejo revolucionário. Até porque essa distinção só é possível se entendermos que a força do capitalismo está justamente em “desterritorializar” o desejo, ou seja, em destruir os territórios e formas de vida que não se adequam a ele. Ele libera assim um desejo que em seguida é capturado e contido pelas representações que o capitalismo oferece. Esse teria sido inclusive, o papel “ideológico” da psicanálise ao tomar o desejo como propriedade de um sujeito, de um indivíduo, da pessoa sexuada, produzindo assim aquela forma de sociedade que Margareth Thatcher definia com precisão ao afirmar que algo como a sociedade não existe, o que há são apenas os indivíduos e suas famílias. A grande contribuição de Guattari nesse caso, consiste em mostrar que o desejo não tem um objeto privilegiado e nem uma forma a priori, ele deve ser criado, produzido, às vezes do nada.
O inconsciente estaria, assim, por toda parte em torno de nós, tanto nos gestos e objetos quotidianos, como na televisão, no ar do tempo e mesmo, sobretudo, nos grandes problemas da hora, portanto, um inconsciente que trabalha tanto dentro dos indivíduos, em sua maneira de ver o mundo, de experimentar seu corpo, seu território, sua sexualidade, no interior dos casais, da família, da escola, do bairro, das fábricas, dos estádios, etc…[14]
Não se trata de afirmar que o desejo circula entre pessoas ou entre objetos que as pessoas portam, o desejo não tem objeto privilegiado, porque sua forma é a da repetição maquínica, e nesse processo, um sujeito se reduz ao resto da máquina, o que deve ser entendido do ponto de vista libidinal, mas também no interior das relações de trabalho. O desejo, parece assim, como consequência do processo de expropriação capitalista. A questão que se coloca aos sujeitos é a de como sair desse processo de expropriação. Dar consistência ao fora, conquistar outras formas e materiais de expressão, tocar outros corpos, construir novas formas de expressão, novas sensibilidades.
Sobre essa questão, do inconsciente, do desejo, tem um princípio, uma ressalva, que só é interessante e por isso gostaria de trazê-lo aqui, porque o último desses princípios ou ressalvas ou referências que são como balizas que servem para uma orientação mínima é justamente a ideia de que toda ideia de princípio deve ser suspeita, quando o desejo está em questão, audácia e precariedade caminham lado a lado:
2 – “Quando acontece alguma coisa, isso prova que acontece alguma coisa”. Tautologia fundamental para marcar aí, igualmente, uma diferença essencial com a psicanálise cujo princípio de base quer dizer que: “quando não acontece nada, isso prova que acontece, na realidade, alguma coisa no inconsciente”; princípio que serve para o psicanalista justificar sua política do silêncio e das esperas indefinidas. Na verdade, é pouco frequente que aconteça verdadeiramente alguma coisa nos agenciamentos do desejo! Convém, também, guardar todo seu relevo para tais acontecimentos e toda sua vitalidade para os componentes de passagem que são a manifestação desses acontecimentos. Os psicanalistas queriam que nós acreditássemos que eles estão em relação constante com o inconsciente, que dispõem de uma ligação privilegiada que os reúne a ele, uma espécie de telefone vermelho, como o de Carter e de Brejnev! O despertar do inconsciente sabe se fazer compreender por ele próprio. O desejo inconsciente, os agenciamentos que não se exprimem pelos sistemas dominantes de semiotização, manifesta-se por outros meios que não enganam. Aqui não se precisa de porta-voz, de intérpretes. Que mistificação é essa de pretender que o inconsciente trabalhe em segredo, que não se possa dispensar um certo tipo de detetive para decifrar suas mensagens e, sobretudo, afirmar que ele está sempre vivo, latente, repelido, quando na verdade ele estaria visivelmente entorpecido, esgotado, morto, e que não haveria mais outro recurso a não ser o de reconstruí-lo, algumas vezes partindo quase do zero? Que alívio, um pouco covarde, como o de encontrar alguém que lhe dê crédito, contra toda aparência, de uma riqueza inconsciente, inesgotável, enquanto tudo ao seu redor – a sociedade, a família, sua própria resignação – parece ter conspirado para exauri-lo de todo desejo, de toda esperança de mudar sua vida! um tal serviço não tem preço e compreende-se por que os psicanalistas cobram tão caro![15]
Bem, eu fico tentada a terminar por aqui, nessa questão, do que significa mudar a vida, talvez. Onde mora esse desejo de mudar a vida? Do ponto de vista social, evidentemente. O poeta Mallarmé afirmava que é um engano imaginar que possamos ser contemporâneos de nós mesmos, só as massas tem tamanho impudor. Portanto, a beleza dessa resposta não encontraremos em um livro e sim nas ruas.
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No mesmo Inconsciente maquínico em que Guattari anuncia essas ressalvas ou princípios suspeitos, ele distingue entre uma esquizoanálise generativa e uma esquizoanálise transformacional, e utiliza como exemplo o romance proustiano, Em busca do tempo perdido. Guattari quer entender o que distingue Swann do narrador, o que distingue um homem que foi infeliz no amor até alcançar as raias da loucura e um escritor que transformou o que viveu. Não é isso o que está em questão, na verdade. Se eu tivesse que assinalar uma diferença entre a psicanálise lacaniana e as proposições de Guattari, a situaria nesse ponto. O limite da clínica lacaniana é o ato e suas falhas. Guattari procura pensar a transformação como um processo, tanto do ponto de vista clínico quanto do ponto de vista político, trata-se aqui da constituição de um território existencial, um espaço de liberdade. “Não cabe à esquizoanálise atrasar ou forçar os acontecimentos, ele nunca perde de vista que os compromissos, os retrocessos, os avanços, as rupturas, as revoluções dizem respeito a processos que não se pode pretender controlar, mas acompanhar semioticamente ou maquinalmente”.[16]
Acompanhar semioticamente um acontecimento significa analisa-lo do ponto de vista dos signos e seus sistemas de expressão, ou seja, do conjunto dos meios de expressão, representação, comunicação, de subjetivação ou conscientização que tornam possíveis uma capacidade de leitura particular, a construção de um ponto de vista, o surgimento de uma nova sensibilidade. Já o termo maquinalmente concerne os materiais, a matéria da mudança, uma espécie de “matéria a opção” que o acontecimento traz consigo. Guattari sempre insistiu muito na mudança dos meios expressão como uma saída clínica e no duplo movimento de transformação que ao mesmo tempo em que cria uma nova sensibilidade, uma nova forma de expressão, libera um material, traz a cena um conteúdo igualmente novo.
Os componentes de passagem nos falam sobre o que Espinosa chamou de afecção, ou melhor afeto. Na maior parte das vezes, quando Espinosa é evocado para se falar em afetos, fala-se em aumento ou diminuição de potência de vida, alegria e tristeza como se fossem sentimentos e da afecção como se fosse uma nova lei da ação e reação. Não se trata disso. Existe uma diferença entre afecção (affectio) e afecto (affectus).
“Em regra geral, a afecção se diz diretamente do corpo, enquanto que o afeto (affectus) diz respeito ao espírito. Mas a verdadeira diferença não está aí. Ela está entre a afecção do corpo e sua ideia que engloba a natureza do corpo exterior por um lado, e por outro, o afeto que engloba para o corpo e para o espírito um aumento ou diminuição da potência de agir. A afecção diz respeito ao estado do corpo afetado e implica a presença de um corpo que afeta, enquanto que o afeto diz respeito a passagem de um estado a outro, levando em conta a variação correlativa dos corpos que afetam”[17], daí decorre essa ideia de que: “por afetos, entendo as afecções do corpo pelas quais a potência de agir desse corpo aumenta ou diminui, é favorecida ou impedida”.[18]
Os componentes de passagem são, portanto, dessa natureza, “afetos ou paixões da alma, uma ideia confusa pela qual o espírito afirma uma força de existir de seu corpo maior do que a que teve até então” definição da parte III da Ética, para o personagem de Proust, Swann, esse componente de passagem era uma música, uma música que fez Swann sentir que sua vida podia mudar, que ele podia rejuvenescer. Mas essa possibilidade não se concretiza ao longo da história, muito pelo contrário, Swan se apaixona loucamente e vive uma paixão que vai se fechando em torno de si mesma até se esgotar completamente, como se as possibilidades fossem se limitando, as imagens se reificando e restringindo, como se ela girasse em torno de um buraco negro.
Além da distinção entre os afetos tristes e os alegres, aqueles que aumentam ou diminuem a nossa potência de agir, há uma outra distinção entre paixões e ações. As paixões, porque elas estão ligadas a uma causa exterior ainda nos separam da nossa capacidade de agir. O exercício da liberdade é um exercício de autodeterminação, de autonomia, como diz muito bem Marilena Chauí.[19] Liberdade aqui não é vontade de escolher ou de criar ou mesmo de realizar um modelo ou adequar-se a ele, não estamos falando da liberdade do tirano ou do legislador, mas um agir de acordo com a necessidade de nossa natureza, uma natureza que não está dada de antemão, mas que é preciso criar, assim como quem vive sua vida. E de preferência de acordo com um paradigma estético. Determinar a si mesmo a agir, para que não terminemos como joguete das paixões significa desejar a liberdade nela mesma, sem transformá-la em um meio para um fim determinado. O que podemos nos define apenas depois que os dados foram lançados.
NOTAS
- Kuniichi Uno e Laymert Garcia dos Santos. Trad.: Hortência Lencastre (entrevista Kuniichi Uno) e Laymert Garcia dos Santos. Guattari. Confrontações. N-1: São Paulo, 2016.
- Mariana Ruggieri, “Variações da literatura”. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo, 2018, p. 11. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-04072018-115325/pt-br.php.
- Ver Pierre Bourdieu. A reprodução. para uma teoria do sistema de ensino. Vozes: Rio de Janeiro, 2008.
- Ver : De la misère en milieu étudiant considérée sous ses aspects économique, politique, psychologique, sexuel et notamment intellectuel et de quelques moyens pour y remédier (Strasbourg, 1966) Disponível em : https://trajectoire-situationniste.unistra.fr/fileadmin/upload/trajectoire-stituationniste/De_la_mise__re_en_milieu_e__tudiant.pdf. Louis Althusser. Sobre a reprodução. Editora Vozes; 2ª edição (1 janeiro 2008). Pierre Bourdieu et Jean-Claude Passeron. Os Herdeiros: Os Estudantes e a Cultura. Florianópolis: Editora da UFSC, 2018.
- Ver: aula 1 do curso do curso de Deleuze sobre Foucault, O poder. Disponível em português em: https://editorapoliteia.com.br/amostras/Michel%20Foucault%20-%20o%20poder%201-3.pdf
- GUATTARI, Félix. L’inconscient machinique. Paris Éditions Recherches, 1979, p. 14.
- GUATTARI, Félix. L’inconscient machinique. Paris Éditions Recherches, 1979, p. 217.
- GUATTARI, Félix. L’inconscient machinique. op. cit. p. 179.
- Ver: Tosquelles: Une politique de la folie. Documentário de Daniele Sivadon e Jean-Claude Pollack (1989) Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kT9REbBckRI
- Daí o elogio de Guattari ao movimento do S.P.K. na Alemanha. Ver: Revolution moleculaire. Paris: Prairies ordinaires, 2012.
- Guattari, entrevistado por Jacky Beillerot. In: Jacques Ardoino, Jean Dubost, André Lévy, Félix Guattari [et al.], L\’Intervention institutionnelle. Paris: Payot, 1980. P 118.
- Idem., p. 120.
- Idem., p. 110.
- GUATTARI, Félix. L’Inconscient machinique., op. cit. p. 8.
- GUATTARI, Félix. L’Inconscient machinique., op. cit. p. 218.
- Idem., p. 207.
- DELEUZE, Gilles. Spinoza: philosophie pratique. Paris: Minuit, 1981, p. 69.
- Idem.
- CHAUÍ, Marilena. A nervura do real: liberdade e imanência em Espinosa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
LARISSA DRIGO AGOSTINHO: Analista, doutora em Letras pela Universidade de Paris IV, autora de A linguagem se refletindo (Annablume, 2020). Pós-doutoranda em filosofia pela Universidade de São Paulo (FAPESP).
FONTE
Texto publicado em “Psicanálise e Esquizoanálise: diferença e composição” (org. Anderson Santos, 2022, n-1 edições).