
O que Félix Guattari pensa acerca da questão das drogas? Este teaser é apenas um recorte do vídeo de uma entrevista realizada em 1985 com Guattari, onde pensa, comenta e faz críticas sobre o que se entende por “droga” e suas diversas funções no mundo, trazendo referências e situações de trabalho na música e de Michaux e Kafka.
Guattari destaca que “o importante não é tentar propor uma definição da droga em seu nível psicofisiológico, mas sobretudo ver a qual tipo de fenômenos corresponde” e que “as drogas vão desde a heroína até os lipídeos, o açúcar”, etc., incluindo a televisão e os rituais religiosos como uma espécie de droga coletiva. “Nós podemos nos drogar repetindo situações, não necessariamente pela introdução de uma substância química, mas por meio de rituais”.
E de maneira geral, pensa “que a droga tem algo a ver com uma certa maneira de articular o tempo – o que chamaria de semiotizar o tempo. Ou seja, é sem dúvida algo que tende a encolher, a se fazer um território subjetivo, sobre a base do ritmo e da relação com o espaço que constitui uma espécie de proteção, que desenvolve um universo privado e reservado no mundo…”. Afirma que “não podemos verdadeiramente delimitar quais são as atitudes sociais que dizem respeito à droga se não pudermos nos situar nesse imenso empreendimento de normalização, de repetição, de programação dos indivíduos”.
Por fim, para citar um outro trecho dentre muitos outros aqui não citados, Guattari fala sobre os trabalhos de pesquisadores que mostram que o organismo secreta o equivalente das drogas. E isto me remete ao conjunto de sua obra – incluindo os trabalhos com Deleuze – pensando a questão da prudência onde se perguntam sobre as possibilidades de captar a potência da droga, sem se drogar, ou como afirma Deleuze em “Conversações”: sem se produzir como um farrapo humano. Cabe ressaltar que a ideia de experimentar, não é de forma alguma uma viagem sem prudência, pois para se abrir ao fora, também é preciso agir com prudência.
Traduzido e revisado por Álan Belém (@francaiscomalan) e Anderson Santos (@clinicand_)