AOS/ÀS LABORDIANOS/AS : CARTA ENTRE A LÍNGUA FRANCESA E O PORTUGUÊS

AUX LABORDIEN.NES LETTRE ENTRE LA LANGUE FRANÇAISE ET LE PORTUGAIS

AOS/ÀS LABORDIANOS/AS : CARTA ENTRE A LÍNGUA FRANCESA E O PORTUGUÊS

La Borde fait partie de l’histoire mondiale des espaces de soins qui, en même temps, sont perméables d’actes affectifs. C’est plus de 70 ans de travail ici. J’ai choisi de traverser l’Atlantique pour vivre quelques semaines de cette expérience, pour ressentir cet espace avec mon propre corps – corps perméable d’une collectivité.

La Borde faz parte da história mundial dos espaços de cuidado que, ao mesmo tempo, são permeados por atos afetivos. São mais de 70 anos de trabalho por aqui. Escolhi atravessar o Atlântico para viver algumas semanas dessa experiência, para sentir este espaço com meu próprio corpo – corpo permeado por uma coletividade.

Nous construisons constamment un corps, et La Borde est un des endroits où cela se produit quotidiennement, collectivement. C’est un lieu où l’on vit, prend soin et accueille la différence. Après tout, comment faire face à l’angoisse sans un lieu, un réseau de personnes qui peut accueillir et offrir l’espace nécessaire pour chaque singularité ?

Estamos constantemente construindo um corpo, e La Borde é um dos lugares onde isso acontece cotidianamente, coletivamente. É um lugar onde se vive, cuida e acolhe a diferença. Afinal, como lidar com uma angústia sem um lugar, uma rede de pessoas que possa acolher e oferecer o espaço necessário para cada singularidade?

L’attention à l’autre, le soin des paroles et des actes convoquent chacun.e à créer un autre monde possible. C’est ce qui se réalise à La Borde. Je remercie tout ce que j’ai constitué et à tous.tes ceux.celles qui ont construit La Borde jusqu’à aujourd’hui : les pensionnaires, les moniteur.ices, la commission de stage, les personnes de ménage, les chauffeurs, les cuisinier.es, les psychiatres, les stagiaires, l’environnement, les affections, les rencontres, les ateliers, le Club, les secteurs, le journal, l’hôpital de jour, les rencontres/réunions, les discussions, les idées, les rêves et beaucoup plus.

A atenção ao outro, o cuidado com as palavras e atos convocam todos a criar um outro mundo possível. É isso o que se realiza em La Borde. Agradeço tudo o que constituí e a todos/as que têm construído La Borde até os dias de hoje: os pensionistas, os monitores/ras, a comissão de estágio, as pessoas que realizam a limpeza, os motoristas, cozinheiros, psiquiatras, estagiários/as, o ambiente, os afetos, os encontros, os ateliês, o Clube, os setores, o jornal, o hospital-dia, os encontros/as reuniões, as discussões, as ideias, os sonhos e muito mais. 

Je retourne au Brésil avec les nouvelles dimensions que s’ouvrent dans ma perspective, car le passage à La Borde fait proliférer des sensibilités et des liens collectifs qui permettent la construction d’un monde possible, avec la différence, avec le différent, avec l’étranger.

Volto para o Brasil com as novas dimensões que se abrem em minha perspectiva, pois a passagem por La Borde faz proliferar sensibilidades e laços coletivos que possibilitam a construção de um mundo possível, com a diferença, com o diferente, com o estrangeiro.

Merci pour tout, ami.es Labordien.nes !

Obrigado por tudo, amigos/as labordianos/as!

Anderson Santos

Janvier / Janeiro de 2024


Este texto foi escrito como uma expressão de agradecimento e despedida à experiência na clínica La Borde, que me acolheu durante algumas semanas entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024. Foi elaborado e publicado em formato bilíngue, uma escolha pessoal minha, na edição nº 1058 de 19 de janeiro desse ano (alguém colocou “2023” na edição final, mas faz parte, rs) do jornal “Nouvelles Labordiennes”.

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