CLINICAND

A NAU DO TEMPO-REI: 7 ensaios sobre o tempo da loucura – por Peter Pál Pelbart

\”UM POUCO DE POSSÍVEL, SENÃO EU SUFOCO…\” [Gilles Deleuze, Conversações, trad. Peter Pál Pelbart, Ed. 34, 1992, p. 131] Estas falas, embora impregnadas por anos de (con)vivência clínica com pacientes ditos psicóticos, visam simplesmente reacender a potência de evocação, de questionamento e de estranhamento embutidas na loucura. Eis, pois, a molecagem filosófica que as inspira: […]

DA CLAUSURA DO FORA AO FORA DA CLAUSURA: LOUCURA E DESRAZÃO – por Peter Pál Pelbart

O que é um pensamento “desarrazoado”? No que é ele distinto da loucura dita clínica, ou da sensata racionalidade? Quais experiências, no contexto contemporâneo, atestam a força de uma experiência da desrazão, seja no campo filosófico, poético ou mesmo existencial? Foucault mostrou que enquanto a sociedade enclausurava os ditos “loucos”, paralelamente, segundo um registro e […]

SOBRE A CORAGEM DE ABRIR O MAIS CARO CONCEITO – por Maurício Porto

Alguns dias depois da vinda de Jean-Claude Polack ao Brasil, estive conversando com uma colega, ainda jovem no ofício de terapeuta. Ela me deteve por um instante precisando, com urgência, falar de sua aflição. Contou-me a situação inusitada que ela tem vivido atendendo um rapaz que até mesmo os antipsiquiatras não duvidariam em classificar como […]

AMOR, O IMPOSSÍVEL… E UMA NOVA SUAVIDADE – por Suely Rolnik

O amor anda impossível? Que a família implodiu, já sabemos. Isso não é de hoje. Dela restou uma determinada figura de homem, uma determinada figura de mulher. Figura de uma célula conjugal. Mas esta vem se “desterritorializando” a passos de gigante. O capital inflacionou nosso jeito de amar: estamos inteiramente desfocados. Muitos são os caminhos que se […]

PSICANÁLISE E MICROFASCISMOS – por Mariana de Toledo Barbosa

Muitos psicanalistas se inquietam com a ascensão da direita no mundo. No Brasil, as últimas eleições presidenciais parecem nos ter pego de surpresa e nos vimos diante da necessidade de repensar a relação entre a Psicanálise e a política. Movimentos interessantes surgiram desse susto, e um número considerável de psicanalistas atenderam ao desafio de compreender […]

TRIÁLOGOS: FÉLIX GUATTARI E ESQUIZOANÁLISE – Jean-Claude Polack, Annick Kouba, Paul Bretécher (2021)

– Félix Guattari – Danielle Sivadon – Jean-Claude Polack Em dezembro/2022 foi publicado na França pela editora lignes o livro \”Trialogues: Exercices de schizoanalyse\” (Félix Guattari, Jean-Claude Polack e Danielle Sivadon; Prefácio de Polack e Apresentação/Introdução de Annick Kouba e Paul Bretécher). Essa publicação retoma a transcrição das trocas entre Félix Guattari (FG), Danielle Sivadon […]

FREUD E A CRIAÇÃO DA TÉCNICA PSICANALÍTICA – por Mariana de Toledo Barbosa

 RESUMO Pretende-se, neste artigo, refazer o trajeto da criação da técnica psicanalítica por Freud, com o intuito de explicitar a fidelidade freudiana ao primado da clínica sobre a teoria. Freud construiu a psicanálise como um sistema aberto e em variação e não hesitou em transformar a técnica psicanalítica quando a clínica assim o exigiu. Deste […]

OS SIGNOS E SEUS EXCESSOS: A CLÍNICA EM DELEUZE – por Joel Birman

\”[…] a psicologia é certamente a última forma do racionalismo: o leitor ocidental espera a palavra final. Desse ponto de vista, a psicanálise relançou as pretensões da razão. Mas, se ela quase não poupou as grandes obras romanescas, nenhum grande romancista de seu tempo chegou a se interessar muito pela psicanálise.\”[1] Trata-se de empreender aqui […]

O COMUNISMO DA IMANÊNCIA: Félix Guattari entrevistado por Toni Negri

TONI NEGRI: Gostaria de começar por uma questão que também fiz, recentemente, a Gilles Deleuze, a propósito de Mil Platôs. Nesse livro, que considero um dos grandes ensaios filosóficos do século, acreditei perceber uma nota trágica. Os pares conflitantes que nele se desenham (processo/projeto, singularidade/sujeito, composição/organização, linhas de fuga/dispositivo e estratégia, micro/macro, etc.), tudo o […]

HETEROGENEIDADE DELEUZE-LACAN – por Eduardo A. Vidal

Heterogeneidade é uma palavra que convém a um trabalho incessante, arriscado, aberto, a uma aposta na diferença e na multiplicidade como sinal de alerta contra a totalidade e o totalitarismo. Deleuze é um escritor que se propaga, se difunde, se bifurca, se pluraliza na indeterminação do um que não faz todo. Porém, não se quer […]