Não considerar o desejo uma superestrutura subjetiva que fica pisca-piscando.
Fazer o desejo passar para o lado da infraestrutura, da família, do ego e a pessoa para o lado da antiprodução.
Abandonar uma abordagem do inconsciente pela neurose e a família, para adotar aquela, mais específica, dos processos esquizofrênicos, das máquinas desejantes.
Renunciar à captura compulsiva de um objeto completo simbólico de todos os despotismos.
Desfazer-se do significante.
Deixar-se deslizar pelos caminhos das multiplicidades reais.
Parar de ficar reconciliando o homem e a máquina: sua relação é constitutiva do próprio desejo.
Promover uma outra lógica, uma lógica do desejo real, estabelecendo o primado da história relativamente à estrutura. Promover uma outra análise, isenta do simbolismo e da interpretação, e um outro militantismo, arranjando meios para libertar-se por si mesmo das significações da ordem dominante.
Conceber agenciamentos coletivos de enunciação que superem o corte entre sujeito da enunciação e sujeito do enunciado.
Ao fascismo do poder opor as linhas de fuga ativas e positivas que conduzem ao desejo, às máquinas de desejo e à organização do campo social inconsciente.
Não é fugir, você próprio, “pessoalmente”, dar o fora, se mandar, mas afugentar, fazer fugir, fazer vazar, como se fura um cano ou um abscesso.
Fazer os fluxos passarem sob os códigos sociais que querem canalizá-los, barra-los.
A partir das posições de desejo locais minúsculas, pôr em xeque, passo a passo, o conjunto do sistema capitalista.
Liberar os fluxos, ir longe no artificio, cada vez mais.
FONTE
GUATTARI, Félix. IN: Revolução Molecular: pulsações políticas do desejo. São Paulo, Brasiliense, 1981. Tradução: Suely Rolnik.