TRIÁLOGOS: FÉLIX GUATTARI E ESQUIZOANÁLISE – Jean-Claude Polack, Annick Kouba, Paul Bretécher (2021)

– Félix Guattari – Danielle Sivadon – Jean-Claude Polack

Em dezembro/2022 foi publicado na França pela editora lignes o livro “Trialogues: Exercices de schizoanalyse” (Félix Guattari, Jean-Claude Polack e Danielle Sivadon; Prefácio de Polack e Apresentação/Introdução de Annick Kouba e Paul Bretécher). Essa publicação retoma a transcrição das trocas entre Félix Guattari (FG), Danielle Sivadon (DS) e Jean Claude Polack (JCP), entre os anos 1989-1992, um período intenso de reflexão clínica e crítica. Em junho de 1991 foi publicado o livro “L’intimate Utopie” [A intima Utopia] de JCP e DS e em fevereiro de 1992 Caosmose de FG. Os Triálogos surgem então como um laboratório, um campo de experimentação a três.

Cada um, por sua vez, expõe seu trabalho com um paciente. Esses Triálogos testemunham seu compromisso com os pacientes e sua preocupação em transmitir, o mais próximo possível do que percebem como sua singularidade, sua discrepância em relação a prática de uma psicanálise ortodoxa. Trata-se de um trabalho onde os três participantes puderam repensar a clínica com as ferramentas da esquizoanálise, na tentativa de articular conceitos, dispositivos e compromissos singulares.


Félix: é como se você precisasse trazer seus próprios afetos, suas próprias representações, memórias/e fantasmas para poder constituir um texto de referência comum, uma linguagem comum com o paciente… isso é certo/só se você não traga algo, o paciente, /por conta própria, que não dê nada… Mas ao invés de simplesmente trazer algo de ordem/cognitivo – a interpretação – ou afetivo da ordem/da transferência, você traz propriamente dimensões existenciais,/ ou seja, universos de referência singulares, singularizações,/ de toda espécie. Isso significa que existe uma atmosfera, um estilo específico com cada paciente./

DS: “Poderíamos falar de uma língua menor?”

Félix: “sim, isso seria levar ao extremo o conceito de uma língua menor, que deixaria de pertencer a um grupo étnico ou a uma categoria social, mas que seria uma forma de forjar uma língua idiossincrática específica”.

A ideia, no fim das contas, não é persuadir ou seduzir, mas constatarmos juntos que existe sim um processo, que algo está acontecendo, que existe sim cartografia*, uma produção de subjetividade.


Os episódios de “Triálogos” aqui apresentados foram filmados no início de 2021. Jean-Claude Polack, Annick Kouba e Paul Bretécher respondem a perguntas de François Marcelly e François Pain sobre o seu trabalho de escrita.

Texto traduzido por Anderson Santos. Texto original publicado no site Chaosmose Media.

Félix Guattari, Danielle Sivadon, Jean-Claude Polack TRIALOGUES
https://www.editions-lignes.com/TRIALOGUES.html

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima